“Time Waits For No One”

by João Abreu

"Time Waits For No One"

  E ainda estou a decidir se o encontro no seu brilhantismo ou na sua depressão. É tudo tão dolorosamente transitório, tão desprovido de qualquer significado tangível, que começo a aperceber-me que é aí que está o verdadeiro charme das coisas. Os opostos potenciam-se de tal forma que se tornam inseparáveis, e essa realidade não é senão deliciosamente irónica. Aproveita-o enquanto o tiveres, mas lembra-te que também é importante não o teres, não te esqueças disso, está bem?

  Não sei, às vezes é tão fácil fugir, dá impressão que apreciamos o absurdo ou simplesmente tudo que ele envolve. É que não existem soluções no fundo desse copo por mais de ti que esteja nele ou dele em ti, tal como não o existem em palavras ocas ou lágrimas sentidas, emoções falsas ou memórias perdidas, e eu estou farto de fingir e não quero cometer o mesmo erro que tu. Não vou mentir e afirmar que as coisas não mudam, a ingenuidade e a inocência não me atingem assim tão forte, mas a verdade actual é esta e, não sei, talvez ela valha de alguma coisa. Lamento as implicações a quem me compete, mas também não vou mentir e afirmar que as coisas mudaram, não sei, é de mim, eu sou parvo assim.

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