Lágrimas

by João Abreu

Onde é que eu… estou?

 

  Uma leve brisa apresenta-me um local que desconheço, uma praia, ou algo muito semelhante para uma consciência ainda inebriada por sono. Não faz sentido, a Lua mantém-se alta no meio de uma imensa escuridão mas não foi aqui que adormeci, nunca vi tal sítio na minha vida, Um sonho, sim, deve ser isso, tendo percorrido tantas outras possibilidades, esta é de longe a mais plausível.

  Talvez, responde alguém num misto de risos abafados, como que se eu fosse uma criança perdida numa multidão, ao mesmo tempo que surge uma figura de uma rapariga vestida de branco ao meu lado com uma solenidade que lembrava aqueles anúncios tacanhos de anjos que tanto passavam na televisão, Quem és, Sou um sonho, não era isso que fazia mais sentido?

  Os meus pés começam a enterrar-se na areia à medida que as ondas rebentam em seu redor, A água não está fria? Porque é que parece tudo tão… real, Onde é que estamos, Uhm, não sei, mas também, de que é que isso interessa, eu conheço-a, não reparei ao início, mas eu conheço-a de algum lado, de há muito tempo atrás, eu… Como é que tens passado?

  Porquê? Porque é que elas não param de cair?

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