Voar em Terra

As deambulações dementes de uma sombra cansada

Month: May, 2011

Escuridão

Escuridão

  Dias transformados em minutos por um mero capricho singular, perdidos em pensamentos que desconheciam o rumo que os levasse a um sítio menos inebriado por tão insuportável escuridão. Não sei o que lhes aconteceu, não consigo ver o rosto de quem nunca encontrou o seu caminho, talvez seja melhor assim, é preferível não lembrar. Já não sou quem era então, tenho dúvidas que alguma vez tenha sido, o buraco é grande e mal lhe consigo ver o fundo, questiono-me se ele existe, sequer, ou se tais gritos ecoam apenas na minha cabeça, numa loucura mais aliciante que a realidade em si.

  Tu foste a única coisa que me manteve aqui, a única coisa que fez sentido durante muito tempo, não quero imaginar o que teria acontecido se não te conhecesse. Nunca voltei a ver uma luz como a tua, com o mesmo brilho ou com a mesma intensidade, eras algo de especial, simplesmente indescritível, mas foi contigo que me apercebi que isso tinha tanto de bom quanto de mau. Tu eras como um farol para as pessoas que viviam nesta escuridão, um ponto de referência que as guiava por um caminho melhor, mas quanto mais elas se aproximavam mais se apercebiam o quão tu as ofuscavas, o quão apagadas elas eram em relação a ti, é incrível ver como a fascinação se transforma em desdém em tão curto espaço de tempo.

  Também eu não fui inocente neste aspecto, a inveja aumentava de segundo a segundo quando estava contigo e o meu coração não passava sem sofrer… porquê a ti, de todas as pessoas, porquê a ti? Era tão claro que tais pensamentos não tinham qualquer lugar na tua mente e ainda assim não conseguia parar de sentir o que estava a sentir, de ver sorrisos em forma de punhal, a destruir-me a sanidade a cada momento que passava.

  Este mundo não te merecia, e espero que tenhas encontrado um melhor, algures por aí. Talvez um dia nos encontremos outra vez, mas, até lá, boa sorte…!

Advertisements

Lágrimas

Onde é que eu… estou?

 

  Uma leve brisa apresenta-me um local que desconheço, uma praia, ou algo muito semelhante para uma consciência ainda inebriada por sono. Não faz sentido, a Lua mantém-se alta no meio de uma imensa escuridão mas não foi aqui que adormeci, nunca vi tal sítio na minha vida, Um sonho, sim, deve ser isso, tendo percorrido tantas outras possibilidades, esta é de longe a mais plausível.

  Talvez, responde alguém num misto de risos abafados, como que se eu fosse uma criança perdida numa multidão, ao mesmo tempo que surge uma figura de uma rapariga vestida de branco ao meu lado com uma solenidade que lembrava aqueles anúncios tacanhos de anjos que tanto passavam na televisão, Quem és, Sou um sonho, não era isso que fazia mais sentido?

  Os meus pés começam a enterrar-se na areia à medida que as ondas rebentam em seu redor, A água não está fria? Porque é que parece tudo tão… real, Onde é que estamos, Uhm, não sei, mas também, de que é que isso interessa, eu conheço-a, não reparei ao início, mas eu conheço-a de algum lado, de há muito tempo atrás, eu… Como é que tens passado?

  Porquê? Porque é que elas não param de cair?